BOLETIM
LABORATÓRIO DE COMPORTAMENTO MOTOR
ABRIL V. 2 No
1 1995
ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
Editor: Edison de J. Manoel
ÍNDICE
Edison de J. Manoel ...............................................................................................................1
Implicações da intermitência de processamento de feedback para as teorias de controle motor.
Luis Augusto Teixeira............................................................................................................. 1
Algumas reflexões sobre as tendências de pesquisa em comportamento motor.
Go Tani.................................................................................................................................... 4
EDITORIAL
Ao finalizarmos o primeiro ano de produção do Boletim, convém fazermos análises e apreciações do que foi realizado e assim traçarmos os caminhos a serem trilhados. Nada mais oportuno, portanto, o Ponto de Vista apresentado por Go Tani. Ao refletir sobre o processo de formação dos membros do LACOM e apresentar as tendências de pesquisa na área de Comportamento Motor, Tani indica vários pontos que merecem a nossa atenção, talvez o principal deles seria a necessidade de um paradigma que integre de forma coerente as atividades de pesquisa individuais no Laboratório.
Edison de J. Manoel
CRÔNICA CIENTÍFICA
Implicações da intermitência de processamento de feedback para as teorias de controle motor
Luis Augusto Teixeira
A latência
para o processamento de sinais sensoriais tem profundas implicações
para o controle não apenas de habilidades motoras discretas, onde deve-se
reagir o mais rapidamente possível após a apresentação
de um estímulo (como em provas de velocidade no atletismo e natação),
mas no controle de qualquer habilidade motora. Isso deve-se ao fato de que essa
latência impõe ao executante um período em que ele não
pode exercer controle, ou promover modificações, conscientemente
sobre seus movimentos, exercendo assim um controle intermitente sobre suas respostas
(CRAIK, 1947, 1948). A intermitência no controle de movimentos é
facilmente observável em tarefas de perseguição manual
de um alvo com trajetória irregular, uma vez que mudanças imprevisíveis
da trajetória do alvo levam a atrasos na produção de movimentos
corretivos (MIALL, WEIR & STEIN, 1993). No entanto, o controle de movimentos
balísticos é que tem levado à proposições
de diferentes modelos de controle intermitente, baseados principalmente no que
se convencionou chamar de Lei de Fitts (Schmidt, 1988), isto é, a relação
positiva entre tempo de movimento e índice de dificuldade da tarefa (determinado
pela relação entre amplitude de movimento e largura do alvo),
tanto para tarefas de contatação alternada (FITTS, 1954) quanto
para a contatação discreta de alvos (FITTS & PETERSON, 1964).
A explicação que tem sido dada para esse fenômeno é
que o aumento do índice de dificuldade, particularmente pela diminuição
da largura do alvo, gera uma maior demanda de processamento de feedback em função
da maior restrição espacial colocada pela tarefa, fazendo com
que o tempo de movimento seja aumentado como conseqüência do maior
número de ajustes necessários para obtenção de sucesso.
Na verdade, as tarefas motoras balísticas são aquelas que mais
são prejudicadas pela intermitência de controle consciente, uma
vez que muitas tarefas dessa categoria são executadas com tempos de movimento
inferiores ao tempo de reação, o que exige que a resposta seja
completamente pré-programada, não sendo passível de correções
em função da informação de feedback. A mesma limitação
se impõe à fase final de respostas de precisão com tempos
de movimento maiores, o que corresponde dizer que a fase final de execução
dessas tarefas é efetivada em circuito aberto de processamento de feedback
e, portanto, refratária a correções durante sua execução.
O controle intermitente, entretanto, pode ser visto como ocorrendo em dois modos
distintos. A primeira proposição é originária dos
trabalhos de KEELE (1968) e CROSSMAN & GOODEVE(1983), onde é proposto
que cada submovimento, isto é, a execução de cada comando
motor, é efetuado com períodos regulares de latência, e
cada um deles possuindo a mesma capacidade de redução da diferença
entre a posição inicial e a posição desejada sobre
o alvo. Dentro dessa proposição de controle intermitente, as correções
começam a ser feitas a partir do momento que haja tempo suficiente para
o processamento de feedback, e continuam por todo o movimento em intervalos
de tempo correspondentes ao tempo de reação até que o movimento
seja concluído.
A segunda forma de se entender a intermitência no controle motor tem sido
proposta por BEGGS & HOWARTH (1972a, b), onde um movimento orientado à
contatação de um alvo é visto como ocorrendo em duas fases
distintas. A primeira, conduzida em circuito aberto de processamento de feedback,
corresponde ao deslocamento inicial do membro e tem a função primária
de cobrir a maior parte da distância entre a posição inicial
e a posição-alvo. A segunda corresponde à fase final da
resposta em que ajustes ou correções da trajetória do membro
são implementados a fim de se obter a máxima precisão na
execução da tarefa. O controle intermitente por essa perspectiva,
então, compreende uma fase inicial de redução de distância
e uma segunda fase de aproximação do alvo com apenas uma correção,
que é iniciada um tempo de reação antes da resposta ser
concluída. Em função dessas características, esses
modelos de controle intermitente têm sido chamados respectivamente de
modelo de correções múltiplas e modelo de correção
única (GLENCROSS & BARRETT, 1989). Escassa evidência empírica
tem sido apresentada para o primeiro, pois raramente têm sido observadas
numerosas variações cinemáticas discretas ao longo de movimentos
orientados a um alvo (ver JAGACINSKI, REPPERGER, MORAN, WARD & GLASS, 1980,
para uma exceção). Por outro lado, alguns resultados de pesquisa
têm mostrado que movimentos balísticos de contatação
com um alvo são caracterizados por uma variação brusca
da velocidade/aceleração próximo ao alvo, sugerindo um
modo de controle de correção única (cf. CARLTON, 1981).
Tanto o modelo de correção única quanto o modelo de correções
múltiplas têm sua lógica baseada na idéia de que
um movimento discreto dirigido a um alvo é controlado por uma série
de comandos motores relativamente imprecisos, que no desenrolar do movimento
precisarão ser ajustados por informação de feedback para
que o alvo seja atingido. Tais elaborações teóricas, portanto,
assumem um mecanismo de controle estereotipado, onde o programa motor inicial
sempre produz movimentos imprecisos, independentemente de suas características
cinemáticas ou da demanda da precisão da tarefa. Contudo, SCHMIDT,
ZELAZNIK & FRANK (1978) têm mostrado que a precisão espacial
numa tarefa de contatação de um alvo é dependente da velocidade
do membro durante o movimento, de forma que o aumento da velocidade do movimento,
em uma série de tentativas, leva a um aumento da variabilidade do ponto
de contatação em tarefas onde há pouco tempo disponível
para processamento de feedback. Além disso, outro fator que é
hipotetizado assumir um papel importante na variabilidade da resposta produzida
é o ruído neural. Esse ruído é produzido pelo aumento
do nível de ativação do sistema nervoso central, o qual
é responsável por instabilidades do sistema de controle, como
o tremor por exemplo.
Baseado no princípio da variabilidade de resposta em função
da magnitude do impulso inicial do movimento (velocidade) mais variabilidade
produzida pelo ruído neural, MEYER, ABRAMS, KORNBLUM, WRIGHT & SMITH
(1988) propuseram um modelo estocástico de submovimentos otimizados,
onde mecanismos de feedback passam a tomar parte no controle à medida
somente que ajustes de rota sejam necessários. Mais especificamente,
é assumido que um movimento rápido para um alvo inclui um ou dois
submovimentos, independentemente da distância ou da largura do alvo. O
submovimento inicial é programado para atingir o centro do alvo, e se
este submovimento termina dentro dos limites do alvo nenhum submovimento adicional
será necessário. Se o ponto final antecipado do submovimento inicial
estiver fora dos limites do alvo, como conseqüência das perturbações
provocadas pelo ruído neuromotor, um segundo submovimento é produzido
gerando alterações de trajetória na tentativa de executar
uma aproximação mais precisa ao alvo. Dessa forma, MEYER et alii
(1988) propõem um modelo de controle que leva em consideração
as idiossincrasias da tarefa, ou ao menos parte delas, no controle de movimentos
balísticos dirigidos a um alvo, deixando explícita a idéia
de que a interação entre programas motores e circuitos de feedback
não está estabelecida a priori, sendo dependente de fatores tais
como a variabilidade de resposta inerente ao sistema motor e a demanda de precisão
da tarefa.
Evidência de utilização diferenciada de feedback em função
das características particulares da tarefa foi fornecida recentemente
por CHUA & ELLIOTT (1993). Em um experimento inicial a tarefa consistia
em posicionar o cursor de um monitor de computador sobre um alvo pela manipulação
de um "mouse", tendo disponibilidade de informação visual do cursor
ou com oclusão de sua trajetória. A análise cinemática
dos resultados mostrou que a condição de disponibilidade de informação
visual apresentou uma proporção maior de desvios significativos
de aceleração após o pico de velocidade em relação
à condição de oclusão. Estas variações
estiveram fortemente correlacionadas à precisão da resposta. No
segundo experimento foram acrescentadas as condições de visibilidade
apenas da primeira metade do deslocamento do cursor e visibilidade apenas da
última metade, além daquelas condições do primeiro
experimento. Os resultados não indicaram variações abruptas
de velocidade/aceleração durante a execução do movimento.
Analisados à luz do modelo proposto por MEYER et alii (1988), os resultados
encontrados por CHUA & ELLIOTT (1993) poderiam sugerir um modo de controle
baseado prioritariamente em um submovimento secundário corretivo na tarefa
empregada no experimento inicial, e um modo de controle calcado em um movimento
único como preponderante no segundo experimento. No entanto, considerando-se
a demanda de precisão da tarefa, a interpretação que parece
mais adequada para os resultados observados é de um controle contínuo,
ou pseudocontínuo sobre o movimento (ELLIOTT, CARSON, GOODMAN & CHUA,
1991). Isto é, desde que a informação visual produz aumento
da precisão da resposta, mas não é observada nenhuma descontinuidade
em variáveis cinemáticas do movimento (tais como oscilações
das curvas de aceleração ou de velocidade), é proposto
um controle visual do membro operando através da regulação
do impulso do membro simplesmente por aumentar ou diminuir o ganho da atividade
muscular, fazendo com que o sistema funcione de uma maneira mais analógica
do que digital. Alternativamente, podem ser efetuados diversos ajustes discretos
de baixa magnitude ao longo do movimento, dando-lhe a aparência de continuidade
(ou seja, um controle pseudocontínuo). Esses ajustes seriam executados
em intervalos de baixa latência, e provavelmente por níveis inferiores
do sistema nervoso central, de forma que as expectativas sobre as conseqüências
ambientais e sobre a informação de feedback poderiam ser utilizadas
na produção de movimentos precisos e suaves, sem que houvesse
percepção consciente pelo executante dos diversos ajustes promovidos
a partir do fluxo contínuo de informação sensorial.
Fazendo-se uma análise geral dos modelos de controle aqui discutidos,
fica patente a progressiva preocupação em fornecer uma explicação
mais apropriada à complexa e dinâmica interação entre
padrões de movimento produzidos centralmente e o fluxo contínuo
de sinais sensoriais, incluindo a informação de feedback. Apesar
do modelo de MEYER et alii (1988) representar uma evolução significante
da concepção do modo de controle motor em tarefas balísticas,
ao propor um mecanismo mais flexível de interação entre
programa motor e feedback sensorial, o modelo de controle contínuo (ELLIOTT,
1993; ELLIOTT et alii, 1991) explicita um sistema de controle baseado em circuitos
de feedback operando em diferentes níveis dentro do sistema nervoso central,
o que possibilitaria maior aproveitamento da antecipação das conseqüências
sensoriais gerando correções com latências bem inferiores
àquelas observadas no controle voluntário. Um dos aspectos mais
importantes que fica dessa breve discussão é o indicativo de que
a extração e aproveitamento do fluxo de informação
sensorial, sendo revertido em benefício do controle de um ato motor,
é um fenômeno multideterminado em que as restrições
impostas pela tarefa, a disponibilidade de informação visual,
o estágio de aprendizagem, e as perturbações intrínsecas
ou extrínsecas ao movimento são alguns dos fatores que parecem
contribuir para determinar o modo específico de controle empregado.
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Ponto de Vista
Algumas reflexões sobre as tendências de pesquisa em comportamento motor
Go Tani
A semente do LACOM
foi plantada em 1984 quando um grupo de recém-formados nos procurou para
manifestar o desejo de continuar estudando. Assim foi formado um grupo de estudos
sobre o comportamento motor humano. Esse grupo cresceu, evoluiu e alcançou
um nível de maturidade e de produção que justificaram a
sua transformação numa estrutura mais formal no âmbito da
Escola de Educação Física da Universidade de São
Paulo. Assim nasceu o LACOM, em 1989, após cinco anos de "gestação".
Em 1994 foi criado o Boletim LACOM com o objetivo de veicular as atividades,
idéias e discussões que vêm sendo desenvolvidas no Laboratório.
Como se sabe, um laboratório dinâmico necessita fazer, constantemente,
uma reflexão sobre as atividades desenvolvidas para poder traçar
perspectivas sólidas de pesquisas para o futuro.
Nesses últimos anos, os integrantes do LACOM estiveram envolvidos com
cursos de pós-graduação, o que inevitavelmente implicou
em direcionar grande parte de suas atenções, energias e conhecimentos
aos projetos individuais específicos e não aos projetos coletivos.
A situação hoje é um pouco diferente. Todos os membros
"natos" do LACOM concluíram recentemente o mestrado, dois deles
o doutorado. Normalmente, quando se vence etapas importantes da vida acadêmica,
o after-effect é fazer-se uma reflexão e projetar novas
metas para o futuro. Afinal, da carreira acadêmica só se conhece
o começo pois ela é um processo., Portanto, o momento é
oportuno para uma reflexão coletiva. Um laboratório não
se caracteriza nem se estabelece pela simples soma de suas partes. É
preciso que ele tenha um paradigma que integre o conjunto de suas atividades
num todo coerente. Obviamente, em se tratando de laboratório de pesquisa,
estas reflexões devem estar diretamente relacionadas com o conteúdo
acadêmico-científico que está sendo discutido e veiculado
na sua área de investigação no contexto mais abrangente.
A área de Comportamento Motor passa por um período de turbulências
em que duas correntes teóricas, originalmente de controle motor, têm
disputado a preferência dos pesquisadores, caracterizando o bem conhecido
"motor-action controversy" (Meijer & Roth, 1988). Embora
o radicalismo inicial de ambas as partes tenha dissipado ultimamente, a disputa
continua aquecida e tem-se alastrado também para as áreas de prendizagem
Motora e Desenvolvimento Motor. É muito difícil prever o final
dessa disputa. Para uns, as duas correntes têm posições
filosóficas irreconciliáveis, portanto, uma delas prevalecerá,
ao final de uma longa disputa, como força hegemônica na área
(por exemplo, Abernethy & Sparrow, 1992). Outros acreditam numa reconciliação
pois consideram as duas correntes complementares (por exemplo, Summers, 1992;
Glencross, 1992; Paillard, 1986). Alguns acreditam que só o próprio
amadurecimento sociológico da área como um todo poderá
dar fim a essa disputa (por exemplo, Beek & Meijer, 1988). Na área
de Aprendizagem Motora, particularmente, essa disputa teórica tem provocado
algumas reações interessantes. Alguns acreditam que o tema aprendizagem
poderá desempenhar o papel de catalisador para uma reconciliação
(por exemplo, van Wieringen, 1988). Como se sabe, uma das grandes limitações
da abordagem de sistemas dinâmicos, ao menos por enquanto, é explicar
o fenômeno de mudanças no comportamento motor como resultado da
prática (Sheridan, 1988; van Wieringen, 1988), embora alguns estudos
comecem a despontar timidamente (por exemplo, Zanone & Kelso, 1992). De
todas as maneiras, reconciliar representação e auto-organização
numa mesma estrutura teórica constitui um grande desafio a ser enfrentado.
Os recentes avanços na Neurociência Cognitiva (veja, por exemplo,
Requin, 1992; Jeannerod, 1994) têm fornecido importantes contribuições
para o estudo da aprendizagem motora. O desenvolvimento de técnicas de
medição sofisticadas como o registro de atividades de um neurônio
isolado tem permitido vasculhar o SNC in loco para descobrir mecanismos subjacentes
à coordenação e controle de movimentos. As recentes evidências
apontadas por Jeannerod (1994) de que a formação de imagem motora
e a preparação motora tem o mesmo substrato neural fornecem também
perspectivas interessantes de investigação. A área de Controle
Motor tem se tornado cada vez mais interdisciplinar (veja, por exemplo, Requin
& Stelmach, 1991; Stelmach & Requin, 1992) com o envolvimento de pesquisadores
de diferentes formações acadêmicas como físicos,
matemáticos, engenheiros, psicólogos e neurofisiologistas. A área
de Aprendizagem Motora, por sua vez, tem envolvido, tradicionalmente, mais psicólogos
e professores de Educação Física, ou mais recentemente
cinesiólogos. E, o que tem ocorrido é a dificuldade que muitos
pesquisadores têm enfrentado para poder investigar na perspectiva da teoria
de sistemas dinâmicos em função da sua exigência de
domínio dos formalismos matemáticos e conhecimentos da Física.
Acredito que poucos pesquisadores, com formação acadêmica
em Educação Física, têm conhecimentos suficientes
de Matemática e Física para desenvolver pesquisas nessa abordagem
sem dificuldades. Uma conseqüência dessa situação é
a repetição de pesquisas emprestando-se métodos desenvolvidos
em centros mais avançados e introduzindo-se pequenas variações
no objeto de estudo. Essa dinâmica de dependência pode ocorrer não
só de laboratório para laboratório como também de
países mais avançados para países menos avançados.
É bem conhecida a limitação dessas pesquisas repetitivas
para o avanço da área. Não resta dúvidas de que
a teoria de sistema dinâmicos é um paradigma extremamente interessante
que tem tido influência nas mais variadas áreas de investigação
científica. Entretanto, em muitas áreas, particularmente nas chamadas
soft sciences, pesquisadores sem uma formação sólida
em termos de conhecimentos das chamadas hard sciences têm enfrentado
o mesmo problema. As perspectivas de pesquisa dentro da abordagem motora (processamento
de informações) continuam interessantes, particularmente para
investigar habilidades motoras onde o envolvimento cognitivo é evidente
(veja, por exemplo, Colley, 1989; van Wieringen, 1988). Algumas mudanças
de enfoque têm ocorrido nesta abordagem. Por exemplo, a utilização
de tarefas mais complexas tem sido sugerida (Stelmach, 1989) com o objetivo
de assegurar a validade ecológica dos resultados de pesquisa. Além
disso, a volta à investigação das variáveis que
afetam a aquisição de habilidades é uma tendência
bastante clara (Schmidt, 1989). Entretanto, é importante ressaltar que
ela não significa uma simples volta no tempo e reiniciar o estudo de
variáveis como conhecimento de resultados, tipo de prática, prática
mental, distribuição de prática e assim por diante, como
era feito na época denominada de abordagem orientada ao produto (Pew,
1970). Os conhecimentos acumulados, sobre os mecanismos e processos subjacentes
ao controle motor durante o período denominado de abordagem orientada
ao processo (Pew, 1970), fornecem um instrumental teórico muito sofisticado
e rico com alto potencial de contribuição para a interpretação
do efeito de diferentes variáveis na aquisição de habilidades
motoras. A série de estudos sobre conhecimento de resultados realizada
por Schmidt e colaboradores (por exemplo, Schmidt et alii, 1989; Schmidt et
alii, 1990; Winstein & Schmidt, 1990; Wulf & Schmidt, 1989) reforçam
esta constatação. As pesquisas sobre o efeito da interferência
contextual continuam em alta e a tendência é integrá-la
a outras variáveis como, por exemplo, as diferentes variações
de conhecimento de resultados. A necessidade da retomada de pesquisas aplicadas
em aprendizagem motora tem sido enfatizada (Christina, 1989). Existem reflexões
de que os conhecimentos gerados não têm contribuído para
a solução de problemas práticos. Como em muitos casos os
laboratórios estão vinculados aos departamentos de Educação
Física, como no caso do LACOM, esta tendência de ênfase à
pesquisa aplicada tem um forte apelo institucional. A realização
de pesquisas em ensino-aprendizagem de habilidades motoras merece atenção.
Elas se caracterizam por integração e síntese de conhecimentos
em que a preocupação central é a verificação
experimental da aplicabilidade dos conhecimentos de aprendizagem, desenvolvimento
e controle numa situação real de prática (Tani, 1992).
Em resumo, procurou-se apresentar nesta oportunidade, alguns aspectos relacionados
com o estudo do comportamento motor, mais especificamente em aprendizagem motora,
que merecem ser cuidadosamente "meditados" pelos membros do LACOM.
Espera-se que os frutos dessa reflexão possam ser sentidos, concretamente,
nas futuras publicações do laboratório.
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28 de Maio de 1999
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