BOLETIM

LABORATÓRIO DE COMPORTAMENTO MOTOR

ABRIL V. 2 No 1 1995
ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

Editor: Edison de J. Manoel

ÍNDICE

Edison de J. Manoel ...............................................................................................................1

Implicações da intermitência de processamento de feedback para as teorias de controle motor.

Luis Augusto Teixeira............................................................................................................. 1

Algumas reflexões sobre as tendências de pesquisa em comportamento motor.

Go Tani.................................................................................................................................... 4

EDITORIAL

Ao finalizarmos o primeiro ano de produção do Boletim, convém fazermos análises e apreciações do que foi realizado e assim traçarmos os caminhos a serem trilhados. Nada mais oportuno, portanto, o Ponto de Vista apresentado por Go Tani. Ao refletir sobre o processo de formação dos membros do LACOM e apresentar as tendências de pesquisa na área de Comportamento Motor, Tani indica vários pontos que merecem a nossa atenção, talvez o principal deles seria a necessidade de um paradigma que integre de forma coerente as atividades de pesquisa individuais no Laboratório.
Reflexão, também é a tônica da Crônica Científica. Luis Teixeira discute modelos de controle em busca de concepções mais apropriadas à complexidade da performance motora. A crônica é um breve relato das preocupações maiores de Teixeira em desenvolver no LACOM uma linha de pesquisa centrada no controle motor. A elaboração de preocupações dessa natureza e a colocação a público das reflexões realizadas é sem dúvida uma atividade necessária para todos os membros do LACOM.
Com o início do segundo volume do Boletim encontramos razões para festejar. A principal delas é a conclusão do primeiro doutoramento conduzido no Laboratório, realizado por Luis Teixeira. No entanto, muito ainda precisa ser feito para que o LACOM não seja um local de coleta de dados e torne-se um ambiente onde fervilhem idéias, um ambiente onde a tônica é o encontro de pessoas cujo o ideal é um só: aventurar-se no desconhecido.

 

Edison de J. Manoel

CRÔNICA CIENTÍFICA

Implicações da intermitência de processamento de feedback para as teorias de controle motor

Luis Augusto Teixeira

A latência para o processamento de sinais sensoriais tem profundas implicações para o controle não apenas de habilidades motoras discretas, onde deve-se reagir o mais rapidamente possível após a apresentação de um estímulo (como em provas de velocidade no atletismo e natação), mas no controle de qualquer habilidade motora. Isso deve-se ao fato de que essa latência impõe ao executante um período em que ele não pode exercer controle, ou promover modificações, conscientemente sobre seus movimentos, exercendo assim um controle intermitente sobre suas respostas (CRAIK, 1947, 1948). A intermitência no controle de movimentos é facilmente observável em tarefas de perseguição manual de um alvo com trajetória irregular, uma vez que mudanças imprevisíveis da trajetória do alvo levam a atrasos na produção de movimentos corretivos (MIALL, WEIR & STEIN, 1993). No entanto, o controle de movimentos balísticos é que tem levado à proposições de diferentes modelos de controle intermitente, baseados principalmente no que se convencionou chamar de Lei de Fitts (Schmidt, 1988), isto é, a relação positiva entre tempo de movimento e índice de dificuldade da tarefa (determinado pela relação entre amplitude de movimento e largura do alvo), tanto para tarefas de contatação alternada (FITTS, 1954) quanto para a contatação discreta de alvos (FITTS & PETERSON, 1964). A explicação que tem sido dada para esse fenômeno é que o aumento do índice de dificuldade, particularmente pela diminuição da largura do alvo, gera uma maior demanda de processamento de feedback em função da maior restrição espacial colocada pela tarefa, fazendo com que o tempo de movimento seja aumentado como conseqüência do maior número de ajustes necessários para obtenção de sucesso.
Na verdade, as tarefas motoras balísticas são aquelas que mais são prejudicadas pela intermitência de controle consciente, uma vez que muitas tarefas dessa categoria são executadas com tempos de movimento inferiores ao tempo de reação, o que exige que a resposta seja completamente pré-programada, não sendo passível de correções em função da informação de feedback. A mesma limitação se impõe à fase final de respostas de precisão com tempos de movimento maiores, o que corresponde dizer que a fase final de execução dessas tarefas é efetivada em circuito aberto de processamento de feedback e, portanto, refratária a correções durante sua execução.
O controle intermitente, entretanto, pode ser visto como ocorrendo em dois modos distintos. A primeira proposição é originária dos trabalhos de KEELE (1968) e CROSSMAN & GOODEVE(1983), onde é proposto que cada submovimento, isto é, a execução de cada comando motor, é efetuado com períodos regulares de latência, e cada um deles possuindo a mesma capacidade de redução da diferença entre a posição inicial e a posição desejada sobre o alvo. Dentro dessa proposição de controle intermitente, as correções começam a ser feitas a partir do momento que haja tempo suficiente para o processamento de feedback, e continuam por todo o movimento em intervalos de tempo correspondentes ao tempo de reação até que o movimento seja concluído.
A segunda forma de se entender a intermitência no controle motor tem sido proposta por BEGGS & HOWARTH (1972a, b), onde um movimento orientado à contatação de um alvo é visto como ocorrendo em duas fases distintas. A primeira, conduzida em circuito aberto de processamento de feedback, corresponde ao deslocamento inicial do membro e tem a função primária de cobrir a maior parte da distância entre a posição inicial e a posição-alvo. A segunda corresponde à fase final da resposta em que ajustes ou correções da trajetória do membro são implementados a fim de se obter a máxima precisão na execução da tarefa. O controle intermitente por essa perspectiva, então, compreende uma fase inicial de redução de distância e uma segunda fase de aproximação do alvo com apenas uma correção, que é iniciada um tempo de reação antes da resposta ser concluída. Em função dessas características, esses modelos de controle intermitente têm sido chamados respectivamente de modelo de correções múltiplas e modelo de correção única (GLENCROSS & BARRETT, 1989). Escassa evidência empírica tem sido apresentada para o primeiro, pois raramente têm sido observadas numerosas variações cinemáticas discretas ao longo de movimentos orientados a um alvo (ver JAGACINSKI, REPPERGER, MORAN, WARD & GLASS, 1980, para uma exceção). Por outro lado, alguns resultados de pesquisa têm mostrado que movimentos balísticos de contatação com um alvo são caracterizados por uma variação brusca da velocidade/aceleração próximo ao alvo, sugerindo um modo de controle de correção única (cf. CARLTON, 1981).
Tanto o modelo de correção única quanto o modelo de correções múltiplas têm sua lógica baseada na idéia de que um movimento discreto dirigido a um alvo é controlado por uma série de comandos motores relativamente imprecisos, que no desenrolar do movimento precisarão ser ajustados por informação de feedback para que o alvo seja atingido. Tais elaborações teóricas, portanto, assumem um mecanismo de controle estereotipado, onde o programa motor inicial sempre produz movimentos imprecisos, independentemente de suas características cinemáticas ou da demanda da precisão da tarefa. Contudo, SCHMIDT, ZELAZNIK & FRANK (1978) têm mostrado que a precisão espacial numa tarefa de contatação de um alvo é dependente da velocidade do membro durante o movimento, de forma que o aumento da velocidade do movimento, em uma série de tentativas, leva a um aumento da variabilidade do ponto de contatação em tarefas onde há pouco tempo disponível para processamento de feedback. Além disso, outro fator que é hipotetizado assumir um papel importante na variabilidade da resposta produzida é o ruído neural. Esse ruído é produzido pelo aumento do nível de ativação do sistema nervoso central, o qual é responsável por instabilidades do sistema de controle, como o tremor por exemplo.
Baseado no princípio da variabilidade de resposta em função da magnitude do impulso inicial do movimento (velocidade) mais variabilidade produzida pelo ruído neural, MEYER, ABRAMS, KORNBLUM, WRIGHT & SMITH (1988) propuseram um modelo estocástico de submovimentos otimizados, onde mecanismos de feedback passam a tomar parte no controle à medida somente que ajustes de rota sejam necessários. Mais especificamente, é assumido que um movimento rápido para um alvo inclui um ou dois submovimentos, independentemente da distância ou da largura do alvo. O submovimento inicial é programado para atingir o centro do alvo, e se este submovimento termina dentro dos limites do alvo nenhum submovimento adicional será necessário. Se o ponto final antecipado do submovimento inicial estiver fora dos limites do alvo, como conseqüência das perturbações provocadas pelo ruído neuromotor, um segundo submovimento é produzido gerando alterações de trajetória na tentativa de executar uma aproximação mais precisa ao alvo. Dessa forma, MEYER et alii (1988) propõem um modelo de controle que leva em consideração as idiossincrasias da tarefa, ou ao menos parte delas, no controle de movimentos balísticos dirigidos a um alvo, deixando explícita a idéia de que a interação entre programas motores e circuitos de feedback não está estabelecida a priori, sendo dependente de fatores tais como a variabilidade de resposta inerente ao sistema motor e a demanda de precisão da tarefa.
Evidência de utilização diferenciada de feedback em função das características particulares da tarefa foi fornecida recentemente por CHUA & ELLIOTT (1993). Em um experimento inicial a tarefa consistia em posicionar o cursor de um monitor de computador sobre um alvo pela manipulação de um "mouse", tendo disponibilidade de informação visual do cursor ou com oclusão de sua trajetória. A análise cinemática dos resultados mostrou que a condição de disponibilidade de informação visual apresentou uma proporção maior de desvios significativos de aceleração após o pico de velocidade em relação à condição de oclusão. Estas variações estiveram fortemente correlacionadas à precisão da resposta. No segundo experimento foram acrescentadas as condições de visibilidade apenas da primeira metade do deslocamento do cursor e visibilidade apenas da última metade, além daquelas condições do primeiro experimento. Os resultados não indicaram variações abruptas de velocidade/aceleração durante a execução do movimento.
Analisados à luz do modelo proposto por MEYER et alii (1988), os resultados encontrados por CHUA & ELLIOTT (1993) poderiam sugerir um modo de controle baseado prioritariamente em um submovimento secundário corretivo na tarefa empregada no experimento inicial, e um modo de controle calcado em um movimento único como preponderante no segundo experimento. No entanto, considerando-se a demanda de precisão da tarefa, a interpretação que parece mais adequada para os resultados observados é de um controle contínuo, ou pseudocontínuo sobre o movimento (ELLIOTT, CARSON, GOODMAN & CHUA, 1991). Isto é, desde que a informação visual produz aumento da precisão da resposta, mas não é observada nenhuma descontinuidade em variáveis cinemáticas do movimento (tais como oscilações das curvas de aceleração ou de velocidade), é proposto um controle visual do membro operando através da regulação do impulso do membro simplesmente por aumentar ou diminuir o ganho da atividade muscular, fazendo com que o sistema funcione de uma maneira mais analógica do que digital. Alternativamente, podem ser efetuados diversos ajustes discretos de baixa magnitude ao longo do movimento, dando-lhe a aparência de continuidade (ou seja, um controle pseudocontínuo). Esses ajustes seriam executados em intervalos de baixa latência, e provavelmente por níveis inferiores do sistema nervoso central, de forma que as expectativas sobre as conseqüências ambientais e sobre a informação de feedback poderiam ser utilizadas na produção de movimentos precisos e suaves, sem que houvesse percepção consciente pelo executante dos diversos ajustes promovidos a partir do fluxo contínuo de informação sensorial.
Fazendo-se uma análise geral dos modelos de controle aqui discutidos, fica patente a progressiva preocupação em fornecer uma explicação mais apropriada à complexa e dinâmica interação entre padrões de movimento produzidos centralmente e o fluxo contínuo de sinais sensoriais, incluindo a informação de feedback. Apesar do modelo de MEYER et alii (1988) representar uma evolução significante da concepção do modo de controle motor em tarefas balísticas, ao propor um mecanismo mais flexível de interação entre programa motor e feedback sensorial, o modelo de controle contínuo (ELLIOTT, 1993; ELLIOTT et alii, 1991) explicita um sistema de controle baseado em circuitos de feedback operando em diferentes níveis dentro do sistema nervoso central, o que possibilitaria maior aproveitamento da antecipação das conseqüências sensoriais gerando correções com latências bem inferiores àquelas observadas no controle voluntário. Um dos aspectos mais importantes que fica dessa breve discussão é o indicativo de que a extração e aproveitamento do fluxo de informação sensorial, sendo revertido em benefício do controle de um ato motor, é um fenômeno multideterminado em que as restrições impostas pela tarefa, a disponibilidade de informação visual, o estágio de aprendizagem, e as perturbações intrínsecas ou extrínsecas ao movimento são alguns dos fatores que parecem contribuir para determinar o modo específico de controle empregado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Ponto de Vista

Algumas reflexões sobre as tendências de pesquisa em comportamento motor

Go Tani

A semente do LACOM foi plantada em 1984 quando um grupo de recém-formados nos procurou para manifestar o desejo de continuar estudando. Assim foi formado um grupo de estudos sobre o comportamento motor humano. Esse grupo cresceu, evoluiu e alcançou um nível de maturidade e de produção que justificaram a sua transformação numa estrutura mais formal no âmbito da Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo. Assim nasceu o LACOM, em 1989, após cinco anos de "gestação".
Em 1994 foi criado o Boletim LACOM com o objetivo de veicular as atividades, idéias e discussões que vêm sendo desenvolvidas no Laboratório. Como se sabe, um laboratório dinâmico necessita fazer, constantemente, uma reflexão sobre as atividades desenvolvidas para poder traçar perspectivas sólidas de pesquisas para o futuro.
Nesses últimos anos, os integrantes do LACOM estiveram envolvidos com cursos de pós-graduação, o que inevitavelmente implicou em direcionar grande parte de suas atenções, energias e conhecimentos aos projetos individuais específicos e não aos projetos coletivos. A situação hoje é um pouco diferente. Todos os membros "natos" do LACOM concluíram recentemente o mestrado, dois deles o doutorado. Normalmente, quando se vence etapas importantes da vida acadêmica, o after-effect é fazer-se uma reflexão e projetar novas metas para o futuro. Afinal, da carreira acadêmica só se conhece o começo pois ela é um processo., Portanto, o momento é oportuno para uma reflexão coletiva. Um laboratório não se caracteriza nem se estabelece pela simples soma de suas partes. É preciso que ele tenha um paradigma que integre o conjunto de suas atividades num todo coerente. Obviamente, em se tratando de laboratório de pesquisa, estas reflexões devem estar diretamente relacionadas com o conteúdo acadêmico-científico que está sendo discutido e veiculado na sua área de investigação no contexto mais abrangente. A área de Comportamento Motor passa por um período de turbulências em que duas correntes teóricas, originalmente de controle motor, têm disputado a preferência dos pesquisadores, caracterizando o bem conhecido "motor-action controversy" (Meijer & Roth, 1988). Embora o radicalismo inicial de ambas as partes tenha dissipado ultimamente, a disputa continua aquecida e tem-se alastrado também para as áreas de prendizagem Motora e Desenvolvimento Motor. É muito difícil prever o final dessa disputa. Para uns, as duas correntes têm posições filosóficas irreconciliáveis, portanto, uma delas prevalecerá, ao final de uma longa disputa, como força hegemônica na área (por exemplo, Abernethy & Sparrow, 1992). Outros acreditam numa reconciliação pois consideram as duas correntes complementares (por exemplo, Summers, 1992; Glencross, 1992; Paillard, 1986). Alguns acreditam que só o próprio amadurecimento sociológico da área como um todo poderá dar fim a essa disputa (por exemplo, Beek & Meijer, 1988). Na área de Aprendizagem Motora, particularmente, essa disputa teórica tem provocado algumas reações interessantes. Alguns acreditam que o tema aprendizagem poderá desempenhar o papel de catalisador para uma reconciliação (por exemplo, van Wieringen, 1988). Como se sabe, uma das grandes limitações da abordagem de sistemas dinâmicos, ao menos por enquanto, é explicar o fenômeno de mudanças no comportamento motor como resultado da prática (Sheridan, 1988; van Wieringen, 1988), embora alguns estudos comecem a despontar timidamente (por exemplo, Zanone & Kelso, 1992). De todas as maneiras, reconciliar representação e auto-organização numa mesma estrutura teórica constitui um grande desafio a ser enfrentado. Os recentes avanços na Neurociência Cognitiva (veja, por exemplo, Requin, 1992; Jeannerod, 1994) têm fornecido importantes contribuições para o estudo da aprendizagem motora. O desenvolvimento de técnicas de medição sofisticadas como o registro de atividades de um neurônio isolado tem permitido vasculhar o SNC in loco para descobrir mecanismos subjacentes à coordenação e controle de movimentos. As recentes evidências apontadas por Jeannerod (1994) de que a formação de imagem motora e a preparação motora tem o mesmo substrato neural fornecem também perspectivas interessantes de investigação. A área de Controle Motor tem se tornado cada vez mais interdisciplinar (veja, por exemplo, Requin & Stelmach, 1991; Stelmach & Requin, 1992) com o envolvimento de pesquisadores de diferentes formações acadêmicas como físicos, matemáticos, engenheiros, psicólogos e neurofisiologistas. A área de Aprendizagem Motora, por sua vez, tem envolvido, tradicionalmente, mais psicólogos e professores de Educação Física, ou mais recentemente cinesiólogos. E, o que tem ocorrido é a dificuldade que muitos pesquisadores têm enfrentado para poder investigar na perspectiva da teoria de sistemas dinâmicos em função da sua exigência de domínio dos formalismos matemáticos e conhecimentos da Física. Acredito que poucos pesquisadores, com formação acadêmica em Educação Física, têm conhecimentos suficientes de Matemática e Física para desenvolver pesquisas nessa abordagem sem dificuldades. Uma conseqüência dessa situação é a repetição de pesquisas emprestando-se métodos desenvolvidos em centros mais avançados e introduzindo-se pequenas variações no objeto de estudo. Essa dinâmica de dependência pode ocorrer não só de laboratório para laboratório como também de países mais avançados para países menos avançados. É bem conhecida a limitação dessas pesquisas repetitivas para o avanço da área. Não resta dúvidas de que a teoria de sistema dinâmicos é um paradigma extremamente interessante que tem tido influência nas mais variadas áreas de investigação científica. Entretanto, em muitas áreas, particularmente nas chamadas soft sciences, pesquisadores sem uma formação sólida em termos de conhecimentos das chamadas hard sciences têm enfrentado o mesmo problema. As perspectivas de pesquisa dentro da abordagem motora (processamento de informações) continuam interessantes, particularmente para investigar habilidades motoras onde o envolvimento cognitivo é evidente (veja, por exemplo, Colley, 1989; van Wieringen, 1988). Algumas mudanças de enfoque têm ocorrido nesta abordagem. Por exemplo, a utilização de tarefas mais complexas tem sido sugerida (Stelmach, 1989) com o objetivo de assegurar a validade ecológica dos resultados de pesquisa. Além disso, a volta à investigação das variáveis que afetam a aquisição de habilidades é uma tendência bastante clara (Schmidt, 1989). Entretanto, é importante ressaltar que ela não significa uma simples volta no tempo e reiniciar o estudo de variáveis como conhecimento de resultados, tipo de prática, prática mental, distribuição de prática e assim por diante, como era feito na época denominada de abordagem orientada ao produto (Pew, 1970). Os conhecimentos acumulados, sobre os mecanismos e processos subjacentes ao controle motor durante o período denominado de abordagem orientada ao processo (Pew, 1970), fornecem um instrumental teórico muito sofisticado e rico com alto potencial de contribuição para a interpretação do efeito de diferentes variáveis na aquisição de habilidades motoras. A série de estudos sobre conhecimento de resultados realizada por Schmidt e colaboradores (por exemplo, Schmidt et alii, 1989; Schmidt et alii, 1990; Winstein & Schmidt, 1990; Wulf & Schmidt, 1989) reforçam esta constatação. As pesquisas sobre o efeito da interferência contextual continuam em alta e a tendência é integrá-la a outras variáveis como, por exemplo, as diferentes variações de conhecimento de resultados. A necessidade da retomada de pesquisas aplicadas em aprendizagem motora tem sido enfatizada (Christina, 1989). Existem reflexões de que os conhecimentos gerados não têm contribuído para a solução de problemas práticos. Como em muitos casos os laboratórios estão vinculados aos departamentos de Educação Física, como no caso do LACOM, esta tendência de ênfase à pesquisa aplicada tem um forte apelo institucional. A realização de pesquisas em ensino-aprendizagem de habilidades motoras merece atenção. Elas se caracterizam por integração e síntese de conhecimentos em que a preocupação central é a verificação experimental da aplicabilidade dos conhecimentos de aprendizagem, desenvolvimento e controle numa situação real de prática (Tani, 1992). Em resumo, procurou-se apresentar nesta oportunidade, alguns aspectos relacionados com o estudo do comportamento motor, mais especificamente em aprendizagem motora, que merecem ser cuidadosamente "meditados" pelos membros do LACOM. Espera-se que os frutos dessa reflexão possam ser sentidos, concretamente, nas futuras publicações do laboratório.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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